ONU alarmada com assassinato de defensora de direitos humanos crítica da intervenção militar

ONU alarmada com assassinato de defensora de direitos humanos crítica da intervenção militar

GENEBRA (26 de março de 2018) – Relatores da ONU consideraram profundamente alarmante o assassinato de Marielle Franco, mulher negra e proeminente defensora de direitos humanos, que criticou o uso da força militar no Rio de Janeiro.

Marielle Franco e seu motorista, Anderson Pedro Gomes, foram assassinados dentro do carro em 14 de março, quando retornavam do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas”

Marielle era uma crítica feroz do Decreto de 16 de fevereiro de 2018, que autoriza a intervenção federal em questões de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro

“O assassinato de Marielle é alarmante, já que ela tem o objetivo de intimidar todos aqueles que lutam por direitos humanos e pelo Estado de direito no Brasil”, asseveraram os relatores.

“Nós pedimos às autoridades brasileiras que usem este momento trágico para revisar suas escolhas em promoção de segurança pública e, em particular, para intensificar substancialmente a proteção de defensores de direitos humanos no país.”

Como vereadora, Marielle integraria a comissão que vai acompanhar a intervenção das Forças Armadas no Rio de Janeiro. Segundo informações recebidas pelos relatores, poucos dias antes de sua morte, Marielle denunciou o uso da força da polícia militar na favela de Acari, na região norte da cidade do Rio.

No último final de semana, oito pessoas supostamente morreram durante uma operação policial em uma favela no Rio de Janeiro. “Segurança pública não deve jamais ser feita às custas de direitos humanos”, afirmaram os especialistas. “Respostas repressivas que miram e marginalizam pessoas pobres e negras são inaceitáveis e contra-produtivas”.

“Nós pedimos às autoridades que ponham fim à violência, reafirmem publicamente o papel fundamental e legítimo das mulheres defensoras de direitos humanos e condenem a violência e a discriminação que são promovidas contra elas”, complementaram.

Os relatores pediram a realização de uma investigação rápida e imparcial dos assassinatos, ressaltando que a execução de Marielle é um sintoma assustador dos atuais níveis de violência no país.

“Marielle foi uma extraordinária defensora de direitos humanos. Ela defendeu os direitos dos negros, das populações LGBTI, das mulheres e dos jovens das favelas mais pobres do Rio. Marielle será lembrada como um símbolo de resistência para comunidades marginalizadas historicamente no Brasil”, concluíram os relatores.

* Os especialistas da ONU: Sra. Dubravka Šimonović, Relatora Especial sobre violência contra mulher, suas causas e consequências; Sra. Agnes Callamard, Relatora Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias; Sra. E. Tendayi Achiume, Relatora Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância relacionada; Sr. Michal Balcerzak, Presidente do Grupo de Trabalho dos Especialistas em Pessoas de Origem Africana; Sr. Victor Madrigal-Borloz, Especialista Independente em proteção contra violência e discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero; Sra. Alda Facio, Presidente do Grupo de Trabalho sobre temas relacionados à discriminação, legal ou pratica, contra a mulher; Sr. Juan Pablo Bohoslavsky, Especialista Independente sobre os efeitos de dívida externa e outras obrigações financeiras internacionais dos Estados sobre o gozo pleno de todos os direitos humanos, particularmente direitos econômicos, sociais e culturais; Sr. Michel Forst, Relator Especial sobre a situação dos defensores de direitos humanos; Sr. Philip Alston, Relator Especial sobre pobreza extrema e direitos humanos; Sra. Leilani Farha, Relatora Especial sobre moradia adequada como componente do direito a um padrão de vida adequado e o direito de não-discriminação nesse contexto.

Os especialistas fazem parte do que se conhece como Procedimentos Especiais do Conselho dos Direitos Humanos. Procedimentos Especiais, o maior órgão de especialistas independentes no Sistema de Direitos Humanos da ONU, é o nome geral dos mecanismos independentes de monitoramento de direitos humanos do Conselho. Os titulares de mandato dos Procedimentos Especiais são especialistas independentes em direitos humanos nomeados pelo Conselho para abordar situações específicas de países ou questões temáticas em todas as partes do mundo. Os especialistas não são funcionários da ONU e são independentes de qualquer governo ou organização. Eles servem em sua capacidade individual e não recebem um salário por seu trabalho.

….. /…. English version below

Brazil: UN experts alarmed by killing of Rio human rights defender who decried military intervention

 

GENEVA (26 March 2018) – UN human rights experts* said the killing of prominent Afro-Brazilian human rights defender Marielle Franco who decried the military’s use of force in Rio de Janeiro was deeply alarming.

 

Ms Marielle Franco and her driver, Mr Anderson Pedro Gomes, were shot dead in their car on 14 March while they were returning from a public event called “Young Black Women Moving Structures”.

 

Ms Franco was a fierce critic of the Decree of 16 February that authorizes federal intervention on matters of public order in Rio.

“Her killing is alarming as it clearly aims to intimidate all those fighting for human rights and the rule of law in Brazil,” said the experts.

 

“We urge the Brazilian authorities to use this tragic moment to thoroughly revisit their choices in the promotion of public security and, particularly, to substantially step up the protection of human rights defenders.”

 

As a city councillor, Ms Franco was supposed to integrate a task force to monitor security interventions in Rio. According to information received by the experts, a few days before the killing, Ms Franco denounced military police’s use of force in the favela of Acari in the Northern region of the city of Rio de Janeiro.

Last weekend, eight people reportedly died in a police operation in a Rio favela. “Public security should never be used at the expense of human rights,” said the experts. “Repressive responses targeting and marginalizing the poor and Afro Brazilians are unacceptable and counter-productive”.

 

“We urge the authorities to put an end to the violence, to publicly reaffirm the important and legitimate role of women’s rights defenders and condemn violence and discrimination against them,” they added.

 

The experts called for a prompt and impartial investigation into the killings while noting that Ms. Franco’s execution was an alarming symptom of the levels of violence in Brazil today.

“Ms Franco was a remarkable human rights defender. She defended the rights of people of African descent, LGBTI, women and young people living in the poorest slums in Rio. She will be remembered as a symbol of resistance for historically marginalized communities in Brazil,” they concluded.

ENDS

*The experts: Ms. Dubravka Šimonović, Special Rapporteur on violence against women, its causes and consequences; Ms. Agnes Callamard, Special Rapporteur on extrajudicial, summary or arbitrary executions; Ms. E. Tendayi Achiume, Special Rapporteur on contemporary forms of racism, racial discrimination, xenophobia and related intolerance; Mr. Michal Balcerzak, Chairperson of the Working Group of Experts on People of African Descent; Mr. Victor Madrigal-Borloz, Independent Expert on protection against violence and discrimination based on sexual orientation and gender identity; Ms. Alda Facio, Chairperson of the Working Group on the issue of discrimination against women in law and in practice; Mr. Juan Pablo Bohoslavsky, Independent Expert on the effects of foreign debt and other related international financial obligations of States on the full enjoyment of all human rights, particularly economic, social and cultural rights; Mr. Michel Forst, Special Rapporteur on the situation of human rights defenders; Mr. Philip Alston, Special Rapporteur on extreme poverty and human rights; Ms Leilani Farha, Special Rapporteur on adequate housing as a component of the right to an adequate standard of living, and on the right to non-discrimination in this context.

The Special Rapporteurs and Working Groups are part of what is known as the Special Procedures of the Human Rights Council. Special Procedures, the largest body of independent experts in the UN Human Rights system, is the general name of the Council’s independent fact-finding and monitoring mechanisms that address either specific country situations or thematic issues in all parts of the world. Special Procedures’ experts work on a voluntary basis; they are not UN staff and do not receive a salary for their work. They are independent from any government or organization and serve in their individual capacity.

 

 

 

 

This year, 2018, is the 70th anniversary of the Universal Declaration of Human Rights, adopted by the UN on 10 December 1948. The Universal Declaration – translated into a world record 500 languages – is rooted in the principle that “all human beings are born free and equal in dignity and rights.” It remains relevant to everyone, every day. In honour of the 70th anniversary of this extraordinarily influential document, and to prevent its vital principles from being eroded, we are urging people everywhere to Stand Up for Human Rights: http://www.standup4humanrights.org.

 

 

 

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Venezuela: incógnita sobre número oficial de famintos

Venezuela: incógnita sobre número oficial de famintos

O Relatório Global sobre Crises Alimentares apresentado na FAO nesta quinta, (22/03), revela que 124 milhões de pessoas em 51 países estão em grave situação alimentar. Mas esse número pode ser ainda maior, isso porque países como Paquistão, Myanmar, Eritreia, Coreia do Norte e Venezuela não enviaram dados nacionais à Rede de Informação de Segurança Alimentar (FSIN).

Em recente visita à Colômbia, o Secretário-Executivo do Programa Mundial Alimentar (PMA), David Beasley, escreveu em sua conta no Twitter ter “escutado muitas histórias estarrecedoras de pais venezuelanos sobre crianças morrendo por falta de comida e medicamentos”. Beasley recordou que mais de 1 milhão de venezuelanos já cruzam a fronteira com a Colômbia desde o início da crise, e que esse êxodo poderia “desestabilizar toda a região”.

Denise Brown, diretora de Emergências do PMA disse hoje off-the-records que “há uma grave crise humanitária em curso na Venezuela”, apesar do PMA não atuar no país latino-americano. “Nós não estamos presentes na Venezuela, mas obviamente estamos presentes nos países vizinhos, principalmente na Colômbia, onde trabalhamos junto ao governo e outros agentes humanitários para receber as pessoas que atravessam a fronteira, dando-lhes assistência. No momento, é isso que estamos fazendo, é esta a nossa responsabilidade”, declarou.

Os únicos dados que o relatório traz sobre a Venezuela são que 6,7 milhões de pessoas dependem de programas de distribuição de alimentos do governo. O documento – que tem mais de 200 páginas – revela também que o custo dos alimentos distribuídos pelo governo subiu 150% entre abril e agosto de 2017. O “mercado negro” dos alimentos também registrou alta de 24% no mesmo período, com o maior aumento em 20 anos registrado entre junho e julho de 2017.

O documento afirma que em 2017 a situação política e econômica se deteriorou na Venezuela, ameaçando o fornecimento de serviços básicos e afetando severamente a segurança alimentar e o sistema de saúde. O alto risco de default da dívida externa, o impasse político e a insegurança deverão continuar a provocar deslocamentos de pessoas  e aumentar a demanda por alimentos e saúde em 2018. As dificuldades atuais em pagar o débito poderiam levar a sanções econômicas mais severas e, inevitavelmente, ao default completo, o que causaria o colapso da economia. Desafios econômicos devem continuar a limitar a capacidade do governo em prover os serviços básicos, concluiu o relatório.

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#Foodcrisesreport

Em Roma e dentro da tomba de Tutankhamon

Em Roma e dentro da tomba de Tutankhamon

O faraóadolescente Tutankhamon foi soberano em um Egito do Novo Reino, por volta de 1.300 a.C. Sua tomba, todavia, só foi encontrada no início do século 20 e, pela riqueza e conservação dos materiais, se transformou na mais conhecida e preciosa já encontrada no Vale dos Reis.

Os achados ocupam um lugar de destaque no Egyptian Museum, entre eles a icônica máscara de ouro do faraó, que pude observar há exatos dois anos, in loco. Hoje, uma minha passada descompromissada diante da Accademia di Egitto me remeteu de volta ao Cairo.

Sugestivamente, me encontro no subsolo da academia onde a mostra foi instalada. O ouro e o branco reluzem na penumbra das luzes dirigidas. Pouco a pouco o trajeto revela peças de valor arqueológico inestimáveis, tudo protegido por vidros espessos. Tenho a exposição toda para mim, estou sozinho em Roma dentro da tomba do faraó. Anubis, Ísis e outros deuses me guiam no percurso.

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Estupefato, permaneço diante do primeiro sarcófago. Não de longe, me fita o olhar severo porém amável de Anubis. Conduzir um faraó para o lado de lá não deve ser fácil!

Para minha surpresa, outro sarcófago, aquele que continha a múmia embalsamada do faraó, estava sem proteção. Pude me aproximar e fotografar nos detalhes. Nele, o corpo do faraó é recoberto com motivos que remetem às plumas das asas das deusas protetoras Ísis e Nephtis. No momento da descoberta de Howard Carter, um sutil tecido de linho vermelho com guirlandas de flores por cima cobria o sarcófago.

De um outro ângulo, admiro Anubis em uma representação de tirar o fôlego. Esculpido em madeira, o chacal apresenta detalhes muito precisos nos olhos e no pescoço. Prossigo: me deparo com uma escultura que representa o jovem faraó em vida. Ela se encaixa perfeitamente naquilo que já vejo brilhar a alguns metros de distância.

O que pode ser? É a máscara de ouro de Tutankhamon!

(silêncio)

Só no final me dei conta que não poderia estar sozinho em uma mostra de objetos tão valiosos. São todas réplicas, perfeitas, enfatizou um funcionário. As originais até pouco tempo estavam aqui, mas por questões de segurança, voltaram para o Cairo.

Mesmo assim, no subsolo, diante daquelas cópias, experimentei sensações mais profundas do que dois anos atrás no museu “original”.

Não é de hoje que Roma flerta com o Egito, e vice-versa. E não exagero ao dizer que voltei ao Egito, sem sair de Roma.

Tudo isso hoje, de alguma forma, reiterou essa ligação.

A arte brasileira na Bienal de Veneza

A arte brasileira na Bienal de Veneza

Uma nova proposta de arte contemporânea desembarca em Veneza. A Bienal deste ano se inspira no humanismo: quer mostrar uma arte de resistência, de libertação, de generosidade.

Características que encontramos na arte dos brasileiros presentes na bienal que, aliás, este ano tem sido muito especial para os brasileiros: são quatro artistas presentes com suas mostras individuais, além da já consolidada participação do pavilhão nacional.

O júri concedeu uma menção especial ao pavilhão brasileiro. A instalação ‘evoca as preocupações atuais da sociedade brasileira’. Cynthia Marcelle e o filmmaker Tiago Mata criaram um espaço desnivelado e enigmático. O visitante não dá passos seguros, literalmente, chuta as pedras do caminho.

A enorme tenda inspirada na cultura dos índios kaxinawá por sua vez convida a entrar em uma outra dimensão, muito mais tranquila e aconchegante. No pavilhão dos Xamãs, Ernesto Neto criou um grande DNA que acolhe a todos. Sons e aromas da Amazônia completam a instalação: um outro nível de consciência que chega às artes contemporâneas a partir das experiências da floresta amazônica e seus habitantes originais.

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“Não tinha visto uma obra na Bienal que abordasse esse tema que é a meditação e a espiritualidade, e que eu acho que a humanidade está despertando para isso. Eu vejo que é uma forma de comunicar, de falar o que não é falado”, disse Maíra Borges Santos, visitante de Porto Alegre

Uma vídeo instalação de Ayrson Heráclito também ganha destaque no pavilhão das tradições.

Mais à frente, no pavilhão da Terra, ganha forma a obra inédita de Érika Verzutti: tartaruga gigante.

A criação de Paulo Bruscky tem um lugar de destaque: o jardim na entrada do pavilhão internacional. A obra, criada em 1973, foi montada pela primeira vez… E não perdeu nada de atualidade.

“A arte-correio foi incorporando as novas tecnologias, como o fax que gera transmissão em tempo real, e nós trabalhávamos na arte-correio em rede e com consciência de rede. Então a internet foi uma consequência logica para mim e para os outros artistas-correio. Então essa obra ainda é atualizada porque é a questão da preocupação com a embalagem da obra de arte, a questão de interior/exterior e é uma obra em aberto: cada um faz suas deduções e serve também para o pessoal descansar, relaxar”.

Ia tudo bem até que Bruscky teve uma performance paralela à bienal, na praça São Marcos, interrompida pela polícia italiana.

“Eu tô muito acostumado com esse tipo de coisa: eu fui muito perseguido no Brasil, lá no Recife, fui preso três vezes durante a ditadura, então isso não me surpreende: a censura sempre andou ao meu lado: fazia até tempo que ela não pegava no meu calcanhar”

– Expor na Bienal é um dos momentos altos da sua carreira, Paulo, aliás, o que você entende por carreira.

“Para mim isso não muda nada: eu continuo sendo a mesma pessoa. É claro que você se sente gratificado por alcançar isso em vida, mas nunca me preocupei com reconhecimento, com nada, nunca procurei nada. Eu faço arte todos os dias, eu faço arte para não ‘endoidecer’”.

– Olha o pessoal lá sentado na sua obra:

“A minha obra serve para várias coisas, não só uma reflexão, mas também uma distração!”

Os leões de ouro da edição de número 57 da Bienal de Arte de Veneza foram para a Alemanha. O pavilhão do país conquistou os jurados com performances intensas e inquietantes sob curadoria de Anne Imhof. No desempenho individual, Franz Erhard recebeu o leão de ouro de melhor artista. O trabalho dele foi descrito pelo júri como radical e complexo. A bienal de arte de Veneza vai até o dia 26 de novembro, com o tema Viva arte Viva.

 

A Grande Sinagoga de Roma

A Grande Sinagoga de Roma

Levei seis anos até que justamente hoje, de repente, não mais que de repente, finalmente conheci a Grande Sinagoga de Roma.

É imponente!

fullsizerenderAbriga o museu de cultura judaica e é um monumento histórico da cidade eterna, apesar de ter sido terminada em 1904.

A relação dos judeus com Roma, porém, é bem mais remota.

A comunidade judaica está presente ininterruptamente há mais de 2.200 anos em Roma. É a mais antiga comunidade hebraica fora da “Judeia”.

Atestam as ruínas de uma antiga sinagoga em Ostia, a primeira fora das terras prometidas.

As primeiras chegadas consideráveis de judeus ao império romano remontam à época do imperador Tito. Tanto é que um olhar mais atento ao arco dedicado às suas conquistas, na Via Sacra, logo identifica uma Menorá entalhada no mármore: ilustração da tomada da Judeia pelas legiões romanas.

De volta ao gueto judaico, com a irrupção das tropas garibaldianas em 1870 na Porta Pia, Roma foi decretada capital do Reino da Itália e, por consequência, todos seus habitantes tiveram a cidadania italiana reconhecida.

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Artefatos históricos presentes no museu judaico

Caía o poder absoluto do papa e os judeus já não estavam mais limitados a viver no gueto.

Assim, aquela decrépita área perto da Ilha Tiberina é demolida e dá lugar ao novo bairro judeu. A Grande Sinagoga é erguida na antiga área, simbolizando a resistência dos judeus ao longo daqueles séculos de marginalização e trazendo esperança para o futuro no início do novo século.

Entretanto, o período de paz é estraçalhado pelos nazistas, que deportaram de Roma centenas de cidadãos judeus italianos aos campos de concentração nazista de Auschwitz e Birkenau.

Em 1982, um ataque terrorista mata o pequeno Stefano Gaj, de dois anos, e deixa outros 37 feridos.

Poucos anos depois, pela primeira vez na história um papa visita o rabino chefe e a Sinagoga de Roma: João Paulo II chama os judeus de “irmãos maiores” e abre uma nova etapa nas relações judaico-católicas.

Atualmente, existem outras 14 (se entendi bem) sinagogas em Roma. Mas o Ghetto Ebraico continua a ser o ponto de encontro da comunidade na capital e ponto obrigatório de passagem para os turistas que visitam a cidade.

Gastronomicamente falando, inclusive!

Aniversário em tempos líquidos

Aniversário em tempos líquidos

Semana passada o Facebook me recordou que eu deveria completar 35 anos em poucos dias. E me incentivava a mudar a privacidade para que todos os “amigos” pudessem desejar o tal do feliz aniversário.

Por um momento, confesso que estava para abrir o tal cadeado. Por orgulho, queria receber os parabéns de alguém que já não importa.

Todavia resisti. Ainda bem porque logo cedo começaram a chegar as primeiras mensagens – de quem eu menos esperava.

– Ma ti ricordi ancora?
Si si…auguri!

Ainda cedo, quem há pouco faz parte da minha vida, limitou-se a um inadvertido buongiorno. O que já é grandioso!

No grupo da família, todos já se manifestaram (menos mal), assim como os amigos que se contam na ponta dos dedos.

Aí chega um pedido de amizade no Facebook de quem você jurava que já era amigo: mas o que é isso?

– Clonaram o meu perfil antigo. Tá ficando velhinho hein?
Diga-o aos pelos que agora só crescem no ouvido, respondo cúmplice.

Os chats pululam. Quem vem jogar um verde para colher maduro, quem nem imagina.

Enquanto isso, no mundo líquido não-virtual, uma colega que está em outro andar passa e acaba com meu disfarce: mas não é hoje seu aniversário?, pergunta diante de TODOS.

Err… (ca-rva-lho-s) sim!
– Auguri!!!

Desmascarado diante dos colegas, começo a receber os parabéns não-virtuais. Até que não doeu tanto! A esta altura, no grupo do Whatsapp, a notícia já viralizou.

“Quem é que tá de aniversário hoje?”
– Euuuuuuuu, relaxei.

Até então não havia me emocionado de verdade. Bastou um simples vídeo, porém cheio de amor, para desabrochar as minhas primeiras lágrimas da metade da vida

[mais 30].

Esse vídeo é virtual? Não, o sal na boca que queima os lábios ao sol não foram imaginados.

É a tecnologia que, com uma pitada sensível de humana condição, transforma tudo o que é virtual no mais puro abraço caloroso [e mais do que real].

Aquele gramado do Índio Condá

Aquele gramado do Índio Condá

As cenas de hoje no Índio Condá me fizeram lembrar dos ensaios para a abertura dos Jasc em 1991.

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O velho condá

Eu tinha 9 anos e começava a entender o valor do esporte para a vida (toda). Eu ensaiava de chuteiras depois do treino com meu pai no campo do São Francisco. Ele que tinha a doce ilusão que eu pudesse me transformar em um grande jogador de futebol.

[E foi o meu maior incentivador quando soube que meu talento esportivo estava nas mãos!]

Ele insistia para que eu tirasse as chuteiras para não estragar o gramado. Mas um menino de 9 anos não é nada sem suas chuteiras!

Recordo do meu pai com a camisa do Internacional. Naquele tempo, um Grenal parava a cidade. Chapecó se identificava muito mais com os times do Rio Grande do Sul por tradição, mas o coração sempre foi verde-e-branco.

Bastava uma vitória da Chape no estadual para sentir essa batida mais forte. Alimentava o sonho de um dia ver a indiarada novamente na primeira divisão após as glórias dos finais dos anos 70.

Já estava bem longe quando da ascensão do time, mas meu pai ainda teve tempo de assistir alguns prodígios da Chape e me contar por telefone.

“Sim, o time é bom, mas falta técnica [meu pai era muito exigente] e o preparo físico ainda não é ideal. Jogam só de um lado do campo, e o lateral direito é canhoto!”.

Eu concordava, obviamente. Sabia que a crítica era sinal de orgulho para quem sempre teve dificuldades em expressar o que sentia.

“Ma va o non va in serie a”?, perguntei.

“Do jeito que está joga pra não cair”.

Meu pai não viveu para ver essa tragédia. Mas tenho certeza que ele, por fora sempre duro na queda, hoje choraria junto com toda Chapecó lembrando os áureos tempos na preparação física do clube.

E diria: “o esporte ensina que nem mesmo diante de uma tragédia colossal o jogo pode parar”.

Então, termino com as palavras da minha madrinha:

“Pra teres uma ideia, no jogo com o San Lorenzo, havia 4 redes de televisão transmitindo ao vivo, com 210 repórteres credenciados. Podes te orgulhar muito da tua cidade! Sabe receber com respeito a todos. Mas não dá moleza dentro do campo. Uma pena que a final não possa ser aqui. O campo só tem capacidade para vinte mil e o regulamento exige quarenta mil. Mas vamos fazer o melhor em Curitiba”.